Biografia

Filho e neto de fadistas, cresceu no seio de uma família onde a música é um selo de identidade. Gil do Carmo seguiu o seu próprio caminho conjugando tradição com abordagens menos convencionais e criando um sentido estético singular e pessoal.

À herança histórica familiar une-se a aprendizagem recebida nos Estados Unidos, para onde foi viver com 19 anos, continuando assim a sua formação em Los Angeles (Musicians Institute) e em Boston (Berklee College of Music).

Aventura-se em nome próprio em 1997 com a edição de “Mil Histórias”, onde “Eléctrico em Lisboa”, “Tentação Demais” e “Tu Morres Todos os Dias” (inédito de Zeca Afonso e Ivan Lins) são alguns dos temas deste primeiro disco e que contou com a colaboração de Miguel Sá Pessoa nos arranjos e co-produção.

Um ano depois lança “Nus Teus Olhos” com a participação de Júlio Pereira, Tito Paris, Laurent Filipe, dando a conhecer canções como “Abre a Janela da Dor”, “Encontrado” e “B’leza”, conquistando assim o seu primeiro Disco de Prata.

Seguiu-se uma longa pausa nas edições discográficas, durante a qual aproveitou para se dedicar ao seu bar “Speakeasy” e compor para artistas de renome como Mariza, Donna Maria ou Carlos do Carmo.

O tempo em que esteve ausente dos lançamentos, serviu também para poder ponderar o rumo que podia dar à sua música. Essa ausência de nove anos teve um ponto final no início de 2008 com “Sisal”. Neste terceiro disco é marcante a miscigenação e fusão da multiculturalidade que abraça países de referência como Brasil, Cabo Verde e Angola. O Atlântico e a Língua Portuguesa são base de partida para o enquadramento lusófono em que Gil do Carmo faz questão de compor.

“Sisal” teve a participação de Bernardo Sassetti, Fernando Araújo, Bernardo Couto, Pedro Jóia, Sara Tavares, Rão Kyao, Vicky e a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, encontrando temas como “Madres de Goa” e “Carta Quente”, bem como “E Se Esta Noite”, “Na Maré de Ti” e “Secreto Segredo” que fizeram parte de bandas sonoras de novelas da TVI.

Em 2016, Gil do Carmo volta a focar-se na música a cem por cento, com um disco que é quase uma impressão digital do seu autor. “A Uma Voz” tem as janelas abertas, uma vista desafogada sobre Lisboa e um claro olhar posto no mundo. Inteiramente escrito por si, este é o seu quarto trabalho, ao lado de músicos que o ajudaram a encontrar um espaço próprio, como Yami, António Serrano, João Frade ou José Manuel Neto. 

Ivan Lins descreve o álbum como o mais autêntico de todos os seus lançamentos, por ser “um disco totalmente acústico, utilizando instrumentos ligados à musica popular portuguesa, como violas acústicas, guitarra portuguesa, acordeão, e instrumentos de percussão. O resultado, a serviço de composições simples e belos textos, só prova o amadurecimento de Gil como compositor e ideólogo de seus projetos”.

Segundo João Gobern, “Gil do Carmo assina, num tempo de valores desfocados e de cenários cinzentos, um disco de “proximidade” (…) o artista convoca referências explícitas de Portugal, do Brasil e de África (…) Gil do Carmo aproveita a essência de cada um desses “formatos” – e aí fica mais um termo da moda corrente – para depois os moldar como bem entende.”

Ou nas palavras de Rui Zink” É Jazz, é fado, é blues, é samba? É uma coisa estranha e estranhamente familiar, esta voz multipolar a uma voz. Fado-caipirinha, samba-tinto, fado que se pode dançar, MPB que nos pede alguma melancolia – em mistura (sábia) com alegria. Música que se bebe, tanto quanto se escuta. Terá Gil do Carmo inventado uma nova forma musical? Não sei. Mas inventou sem dúvida um novo cocktail. O Tropicado. Olhe, eu queria mais um, por favor, que este que ouvi estava delicioso!”

“te he oído otra vez. Eres festivo, obligas a abrir los ojos, cantas hacia fuera, lo cual es bueno para los momentos de tristeza. Y cuando vamos en el coche y necesitamos circular más aprisa: entonces un tema tuyo ayuda al acelerador del alma.”

Pilar del Rio

Biography

Gil, the son of an international renowned and lifetime Grammy winner artist, Carlos do Carmo, grew up in the midst of a family in which music is a trade mark. Gil do Carmo went his own way combining tradition with less conventional approaches thus creating a singular and personal aesthetic style.

 

He combined his family’s musical heritage with influences from the United States where he went as a 19 years old, obtaining a Vocal Performance Certificate from the Los Angeles Musicians Institute and later completing a Bachelor of Music, with a major in Composition, at the Berklee College of Music in Boston, MA in 1995.

 

He started his solo career in 1997 with the release of “Mil Historias”, of  which “Eléctrico em Lisboa”, “Tentação Demais” and “Tu Morres  Todos os Dias” (composed by  Zeca Afonso and Ivan Lins and never  recorded before) are some of the songs of this first album. He had the collaboration of Miguel Sá Pessoa in arrangements and co-production.

A year later he released “Nus Teus Olhos” with the participation of Júlio Pereira, Tito Paris, Laurent Filipe, producing songs such as “Abre a Janela da Dor”, “Encontrado” and “B’leza”, which led him to conquer his first Silver Record Award.

There followed a long pause in recording during which he took the opportunity to dedicate his time to his “Speakeasy” bar while also composing for renowned artists such as Mariza, Donna Maria or Carlos do Carmo and music scores for large audience TV events, such as the Portuguese TVI channel “Soccer Euro Cup 2004” score, he expanded his musical breadth and composition proficiency. Altogether, his contributions have generated award winning tracks and led Gil to an enriching professional experience and mature development of his craft.

 

The time in which he was absent from recording also served to ponder about which direction to give to his music. This nine-year absence came to an end in early 2008 with “Sisal.” In this third record there is a remarkable miscegenation and fusion of the multiculturalism that embraces referential countries such as Brazil, Cape Verde, and Angola. The Atlantic Ocean and the Portuguese Language are the starting point for the lusophony framework in which Gil do Carmo makes a point of composing.

“Sisal” had the participation of Bernardo Sassetti, Fernando Araújo, Bernardo Couto, Pedro Jóia, Sara Tavares, Rão Kyao, Vicky, and Lisbon Sinfonietta Orchestra , including tracks such as “Madres de Goa” and “Carta Quente” , three of this album songs ,“Na Mare de Ti”, “E se esta Noite” and “Secreto Segredo” were each selected as scores for three popular TV soap operas.

 

In 2016 Gil do Carmo re-focuses on his music and makes a comeback with a record that is almost a fingerprint of its author.”A Uma Voz” has its windows open, a clear view of Lisbon and a clear view of the world. Entirely written by him, this is his fourth work and it had the participation of musicians who helped him find his own space such as Yami, António Serrano, João Frade, or José Manuel Neto.

 

Ivan Lins describes the album as the most authentic of all his releases, for being “a totally acoustic record, using instruments linked to Portuguese popular music, such as acoustic guitar, Portuguese guitar, accordion, and percussion instruments. The result, with simple compositions and beautiful texts only proves the maturation of Gil as a composer and ideologist of his projects. “

 

According to João Gobern, “Gil do Carmo signs, in a time of unfocused values and grey scenarios, a record of” proximity “(…) the artist summons explicit references of Portugal, Brazil, and Africa (…) Gil do Carmo takes advantage of the essence of each of these “formats” – the current word – to then shape them as you see fit. “

Or in the words of Rui Zink “Is it Jazz, or Fado or Blues? Is it Samba? It’s a strange and strangely familiar thing, this one multipolar voice. Caipirinha Fado, Red wine Samba, danceable Fado, it’s MPB that gives us some melancholy wisely mixed with joy. Music you drink as much as you listen. Has Gil do Carmo invented a new musical form? I do not know. But he certainly invented a new cocktail. The Tropicado. Barman, I’ll have one more, please, this one was delicious! “

 

“I heard you again. You are festive, you make the eyes open, you sing out, which is good for moments of sadness. And when we go in the car and we need to move faster: then one of your songs helps the accelerator of the soul. ” – Pilar del Rio
Currently, in addition to touring with his new album, Gil do Carmo continues his relentless pursuit of expansion of his musical universe, with projects like a musical score for a neurotechnology company (Neuroverse,Inc.) or composing and producing an ensemble album bringing for the first time the poetry of Nobel Laureate’s Jose Saramago to music.